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Elementar, meu caro Watson…

Elementar, meu caro Watson…

…acho que já vi isso, mas mesmo assim gostei. Antes de falar sobre Sherlock Holmes: O Jogo das Sombras, preciso falar da experiência de encontrar com Robert Downey Jr., no Cinépolis Lagoon. Em menos de um minuto frente a frente ao Tony Stark do cinema, pude perceber que ele realmente é o Tony Stark. Os trejeitos e a forma de falar, tudo em Robert remete ao Tony. Ou seria ao contrário? A continuação do filme de 2009, que deu uma reinventada na imagem do detetive da Baker Street, é uma boa...
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Homem no Escuro – Paul Auster

Posted by celsojnr on dez 22, 2011 in Literatura | 0 comments

Homem no Escuro, romance do escritor norte-americano Paul Auster publicado em 2007, narra a história de August Brill, um crítico literário septuagenário que se encontra sob os cuidados de sua filha Miriam após sofrer um acidente automobilístico em que quase perdeu uma perna.

Viúvo após retomar o casamento com Sonia, de quem havia se separado para casar-se com uma mulher mais jovem, Brill divide seu tempo entre a leitura de um manuscrito de Miriam que, assim como sua mãe, também foi abandonada pelo marido, e várias sessões de cinema em casa com sua neta, Katia, que se recupera da morte do namorado no Iraque. Sofrendo de insônia, Brill aproveita as inúmeras noites em claro para elaborar histórias que o ajudam a passar o tempo. Assim, o leitor é apresentado a Owen Brick, um sujeito pacífico que, sem maiores explicações, desperta em um mundo paralelo, no qual o atentado de 11 de setembro não ocorreu. Nesse mundo paralelo, os Estados Unidos enfrentam uma guerra, mas não contra um inimigo externo: vive-se uma nova guerra civil e Brick é considerado a única esperança para que se ponha fim ao conflito.

Alternando a narrativa entre o dia-a-dia familiar do protagonista e a realidade por ele criada enquanto se encontra na escuridão noturna, o livro evolui de modo enfadonho e desinteressante, o que não deixa de ser tristemente surpreendente, considerando-se a relevância de seu autor no meio literário.

A impressão que fica para o leitor é a de que, passando por uma crise criativa, Auster viu-se com duas histórias que não dariam material suficiente para dois livros e, por isso, resolveu agrupá-las, dando origem a uma espécie de Frankenstein literário. O trecho dedicado a Owen Brick é confuso e mal desenvolvido. É verdade que, em determinado momento, a distopia elaborada pelo autor sugere uma alternativa bastante interessante para o desfecho daquilo que chamarei de história principal (as questões familiares vivenciadas por Brill, sua filha e sua neta), mas trata-se de um alarme falso. Perdido em uma narrativa que não se preocupa em estabelecer bases mínimas para nortear o leitor, a trama envolvendo Owen Brick termina exatamente como começou: sem a dizer a que veio.

Por outro lado, o drama familiar de Brill, Miriam e Katia, que renderia um livro inteiro, fica relegado ao trecho final da obra, revelando quase nada além daquilo que a orelha do livro nos informa de antemão (convém observar que a personagem Miriam sequer é desenvolvida pelo autor, tornando-se irrelevante para a história). Por que o casamento de Miriam acabou? Por que ela nunca tentou reconstruir a sua vida? Por que Katia se sente tão culpada pela morte do namorado? Por que o relacionamento entre Brill, Miriam e Katia parece tão distante, apesar do amor que os une? São questões que poderiam ter sido mais bem exploradas pelo autor. Se ele não tivesse perdido tanto tempo com aquela bobagem de guerra civil, é claro.

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Diálogo, esse personagem de Cães de Aluguel

Posted by celsojnr on jun 4, 2011 in Cinema, Meus Filmes (im)Perfeitos | 0 comments

Já devo ter assistido a Cães de Aluguel umas quatro ou cinco vezes. Talvez não seja lá grande coisa – e de fato não é – mas, depois de quatro ou cinco vezes, despertei minha atenção para um aspecto relevante do filme: em Cães de Aluguel, os diálogos entre as personagens são tão importantes que não seria exagero dizer que eles são, também, personagens da história.

Em Cães de Aluguel nada é entregue “de graça” à audiência; o diálogo é praticamente um elemento cenográfico. É através dele, por exemplo, que é possível compreender o que aqueles cinco homens viveram momentos antes de Mr. Orange e Mr. White chegarem ao galpão abandonado onde o grupo deveria se encontrar após o assalto. Com poucas exceções, não há cenas em flashback ou acompanhadas de narrações em off; nada é explicado.

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GREAT HOUSE, de Nicole Krauss

Posted by Luís Miscow on jan 26, 2011 in Literatura | 0 comments

Autora americana, casada com o também autor Jonathan Safran Foer, Nicole Krauss publicou ano passado seu terceiro romance, após o elogiadíssimo “The History of Love”. Acabou representando a novíssima geração de escritores dos Estados Unidos na disputa pelo National Book Awards, mas o prêmio de ficção acabou na estante de Jaimy Gordon.

Em síntese, o romance conta a história de quatro grupos de pessoas que possuem um pequeno vínculo, no caso, uma exótica mesa usada por escritores, e que percorreu um longo e tortuoso caminho desde a segunda guerra mundial. Aqui, a autora usa o mesmo artifício do seu romance anterior, em que um livro fazia as vezes de ponto de encontro entre os personagens.

A diferença é que esse livro continha uma história por si só. Cabe aqui até o clichê de dizer que era um personagem próprio. Mas a mesa de “Great House”, por mais fabulosa que fosse, se perdeu na narrativa. É irônico, tendo em vista que encontrá-la (ou não perdê-la) é a motivação dos personagens principais, mas no fim das contas o objeto ficou vazio, não nos convencemos de sua importância. É bem possível que se trate de um jogo de sombras da autora, de modo que se acabasse iluminando outros caminhos, mas luz indireta vez ou outra gera perdas.

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“Sunset Park: a novel”, de Paul Auster

Posted by Luís Miscow on nov 18, 2010 in Literatura | 0 comments

Tangibility. That is the word he uses most often when discussing his ideas with his friends. The world is tangible, he says. Human beings are tangible. They are endowed with bodies, and because those bodies feel pain and suffer from disease and undergo death, human life has not altered by a single jot since the beginning of mankind.

O trecho perdido no meio de Sunset Park: a novel, novo livro de Paul Auster, resume bem no que consiste a obra completa do escritor novaiorquino. As pessoas são tangíveis, e tanto mais se tocam quanto mais sofrem.

As críticas inglesas e norteamericanas continuam entendendo esse tema comum aos seus livros como vazio criativo ou autorrepetição. No entanto, parecem esquecer que a adoção de temas universais é tão somente um fio condutor em uma obra artística (literária ou não). O foco da observação deve ser o que está ao redor dele, e em Sunset Park Mr. Auster mais uma vez esbanja sensibilidade na composição da história e dos personagens.

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